Mulher pastora

 

Dame Sarah Mullally é oficialmente "entronizada" como Arcebispa de Canterbury, chefe da Igreja da Inglaterra, tornando-se a primeira mulher a assumir o cargo em 1.400 anos.
O marco clássico é a missão enviada pelo papa Gregório Magno, que enviou Agostinho de Cantuária à Inglaterra em 597 d.C.. Ele converteu o rei de Kent e fundou a sé episcopal em Canterbury.

Onde a Bíblia não permite o episcopado feminino?


a) Seria quando diz para a mulher ficar em silêncio na igreja?


O contexto dessa passagem é o ensino de ordem no culto (1Co 14:33), cujo silêncio também é ordenado a outras pessoas (1Co 14:28, 30). Haver o pedido específico para que mulheres interroguem seus maridos em casa (1Co 14:34-35) indica falta de ordem relacionada a isso naquele contexto. Se o silêncio às mulheres fosse absoluto, não faria sentido elas poderem profetizar na igreja (1Co 11:5).


b) Seria quando diz para a mulher ser submissa ao homem?


Cartas que dizem para as mulheres serem submissas aos maridos (Ef 5:22; Cl 3:18; 1Pe 3:1; Tt 2:4-5) também dizem para os escravos serem submissos aos senhores (Ef 6:5; Cl 3:22; 1Pe 2:18; Tt 2;9-10). Se entendemos que um caso precisa ser lido segundo o contexto cultural e não dogmaticamente, não faz sentido não ler assim também o outro caso. Até porque, efetivamente, não há mais submissão da mulher hoje como no mundo antigo.


c) Seria quando diz que a mulher tem o homem como cabeça?


Isso é dito primeiramente em 1Co 11:3 como um ensinamento que parece sobre autoridade, mas Cristo ensina que o primado na Igreja não vem pela autoridade, mas pelo serviço, e isso ordena a todos (Mc 10:43–45; Mt 20:26–28). Já em Ef 5:22-28, o homem é tratado como cabeça devido ao seu dever ao sacrifício, mas Cristo também ordena isso a todos os discípulos (Jo 15:12–13). Não há nada exigido aqui do homem que não seja exigido também da mulher no contexto mais amplo da Igreja.


d) Seria quando diz que a mulher foi criada depois e foi a transgressora?


Apesar de encontrarmos isso na teologia deutero-paulina de 1Tm 2:12-14, a teologia paulina de 1Co 11:11-12 lembra-nos que, assim como a mulher vem do homem, o homem vem da mulher, e ambos de Deus. Ou seja, há uma igualdade de procedência. Já em Rm 5:12, a teologia paulina lembra-nos que o pecado entrou no mundo pelo homem. Sendo ele, portanto, o verdadeiro transgressor. A caridade deve privilegiar essas coisas.


e) Seria por que a mulher não pode representar Cristo, que é homem?


Se apenas homens podem ser ordenados e sagrados bispos porque representam Cristo, que é homem, então deveríamos nos questionar: se somente um homem pode representar outro, Cristo representou apenas homens na cruz? Evidentemente, sabemos que o essencial da representação é a humanidade (2Co 5:14–15), não o sexo (Gl 3:28).


f) Seria por que os apóstolos eram todos homens?


Os apóstolos também eram todos judeus (Mt 10:2-4), os critérios para suceder Judas só poderiam ser satisfeitos por um judeu (At 1:21-23) e havia dúvida até se um gentio convertido poderia não ser judeu (At 15:5), quanto mais um sucessor dos apóstolos. Mas nem por isso cremos hoje que um sucessor dos apóstolos só pode ser judeu. A pregação de Paulo que incluiu radicalmente o gentio na Igreja foi a mesma que disse que não há homem nem mulher em Cristo (Gl 3:28).


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