ROBERTO MANGABEIRA UNGER - Pôr fim ao governo Lula
Folha de São Paulo, terça-feira, 15 de novembro de 2005
Pôr fim ao governo Lula
Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional.
Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à
politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao
achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer
instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.
Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento
do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de
responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em
juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério
constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o
presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou
que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E
comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou
dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a
liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de
seus abusos.
Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de
declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de
responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes
contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não
compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.
Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam
deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao
presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a
lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.
Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o
projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do
cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que
menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.
Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos
negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e
orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado
que o povo brasileiro lhe confiou.
Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos
mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas
cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser
esmagadas juntas.
Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se
transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados,
de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação
política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja
capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o
futuro da República.
Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por
acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um
sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.
Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o
direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que
corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.
Fonte: Folha de São Paulo
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LULA NOMEIA MANGABEIRA UNGER MINISTRO EXTRAORDINÁRIO
Brasília, 5 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou ministro
extraordinário para Assuntos Estratégicos o filósofo Roberto Mangabeira Unger,
que seria titular de uma secretaria que não foi aprovada pelo Congresso,
informou hoje o "Diário Oficial".
O decreto publicado no "Diário Oficial" estabelece que o escritório que o
filósofo ocupará substituirá o atual Núcleo de Assuntos Estratégicos,
vinculado à Presidência, e com isso, tecnicamente, não é criado um novo
ministério.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, a nomeação não requer aprovação
parlamentar, e o Governo evita o risco de ser rejeitada.
Em 26 de setembro, o Senado anulou um decreto ditado por Lula através do qual
se criava a Secretaria de Planejamento a Longo Prazo, cuja direção foi
assumida por Mangabeira Unger em junho.
A decisão do Senado representou uma inesperada derrota para o Governo, e,
segundo analistas, foi uma prova da fragilidade da ampla coalizão formada por
Lula para o segundo mandato.
O novo decreto indica que o cargo ocupado por Mangabeira Unger terá como
tarefas o planejamento a longo prazo, a definição das opções estratégicas do
país e a articulação entre Governo e sociedade civil com o objetivo de traçar
um plano de desenvolvimento para os próximos 15 anos.
O agora ministro extraordinário para Assuntos Estratégicos trabalhará em
conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). EFE
Fonte:
G1 Mundo (05/10/2007)
ENTREVISTA AO RODA VIVA - 17/04/1993
ENTREVISTA AO RODA VIVA - 30/04/2001 (Leia AQUI)
ENTREVISTA AO RODA VIVA - 16/07/2012
LEIA "O CHEFE" AQUI



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